Como em uma grande malha rodoviária formada por estradas que se conectam, mas que seguem nas mais diversas direções e destinos, o sistema circulatório humano funciona de forma semelhante. No lugar da rodovia, vasos sanguíneos como veias, artérias e capilares. Ao invés de automóveis, por lá corre sangue, e é por meio dele que as células recebem nutrientes e oxigênio, ao mesmo tempo em que eliminam os resíduos resultantes do metabolismo.

De forma geral, a circulação sanguínea tem início no coração, de onde o sangue sai para chegar aos outros órgãos através das artérias —este é o chamado sangue arterial, rico em nutrientes e oxigênio. As artérias ramificam-se até vasos microscópicos, denominados capilares, que estão ao longo de todo o corpo e que também entregam substâncias vitais. Esses mesmos vasos, por sua vez, recolhem os resíduos que os tecidos produzem, transportando-os de volta pelas veias, no chamado sangue venoso.

A partir desse momento, as veias vão se convergindo para levar o sangue venoso até o pulmão, onde ocorre a troca do gás carbônico pelo oxigênio. Depois de oxigenado, o sangue volta para o coração e novamente para as artérias, começando, assim, um novo ciclo.

Neste minuto, enquanto você lê esta reportagem, este processo está acontecendo no seu organismo. E é graças ao funcionamento desse complexo sistema que o seu sangue é irrigado para todos os órgãos, permitindo o correto funcionamento deles. Mas e quando algo não vai bem e a circulação não flui como o esperado?

Os problemas da má circulação

Quando um indivíduo apresenta problemas de circulação, significa que o sangue encontra dificuldade para passar pelas veias ou artérias. Podem ser sintomas da má circulação:

  • Pés e mãos frias ou dormentes;
  • Inchaço das pernas e pés;
  • Em pessoas de pele clara, podem aparecer manchas em tons azulados;
  • Pele seca e escamosa;
  • Unhas quebradiças.

Segundo Andre Echaime Vallentsits Estenssoro, cirurgião vascular do Hospital Sírio-Libanês (SP), as doenças vasculares são caracterizadas pela dilatação ou obstrução dos vasos.

“Quando as artérias dilatam, temos os aneurismas, que podem romper e provocar um sangramento importante, com risco de morte. Já quando as artérias entopem, pode faltar sangue para os tecidos irrigados por aquele vaso e, em última instância, causar sua morte, tal como gangrena nas pernas, infarto no coração ou derrame no cérebro.”

O especialista complementa: “No caso das veias que dilatam, ocorre o que se conhece por varizes e insuficiência venosa. Essas alterações aparecem como dores e peso nas pernas, e apresentam riscos menores que se manifestam em longo prazo. Por outro lado, quando as veias entopem, ocorre a chamada trombose venosa, que é a formação de coágulos dentro das veias e que deve ser tratada de forma imediata”.

Circulação e mortalidade

De acordo com a SBCC (Sociedade Brasileira de Cirurgia Cardiovascular), estima-se que 17,7 milhões de pessoas morreram por doenças cardiovasculares em 2015, representando 31% de todas as mortes em nível global. Desses óbitos, calcula-se que 7,4 milhões ocorrem devido às doenças cardiovasculares e 6,7 milhões devido a acidentes vasculares cerebrais.

“A má circulação pode ter caráter hereditário, porém, está muito relacionada com hábitos de vida. Algumas doenças inflamatórias podem se manifestar com problemas circulatórios. Tabagismo, maus hábitos alimentares e sedentarismo são causas de doenças degenerativas das artérias que devemos combater”, pondera Eduardo A. V. Rocha, presidente da SBCC. Ele também aconselha um acompanhamento médico regular para aqueles que já possuem algum destes problemas.

Doenças como colesterol alto, hipertensão arterial, diabetes, e predisposição genética causam alterações na parede arterial, com deposição de placas de gordura, podendo evoluir para obstrução. Além disso, podem causar degeneração da parede dos vasos, causando enfraquecimento e dilatação (aneurismas). Distúrbios hormonais também são fatores que contribuem com o surgimento de problemas nas veias.

O que fazer para ter uma circulação sanguínea saudável?

É consenso na comunidade médica que manter um estilo de vida saudável é uma importante arma de combate a doenças vasculares. Boa nutrição, controle do peso, atividades físicas regulares e hidratação contribuem para a hemodinâmica da circulação. A saúde desse sistema depende de abolir ou controlar os fatores de risco. É recomendável uma dieta pobre em gorduras e também a prática de exercícios físicos.

No quesito alimentação balanceada, a dica é dar preferência aos alimentos in natura, como frutas, legumes, verduras, grãos, raízes, oleaginosas, tubérculos, carnes e ovos, que são excelentes fontes de fibras, vitaminas e minerais.

“Deve-se evitar alimentos ultraprocessados, pois contém gordura, conservantes e aditivos químicos. Esses alimentos estão associados ao desenvolvimento de doenças cardiovasculares, por isso, a ingestão deve ser feita com parcimônia”, alerta Ana Terezinha Guillaumon, cirurgiã vascular e professora titular da FCM (Faculdade de Ciências Médicas) da Unicamp (Universidade Estadual de Campinas).

Pratique exercícios onde estiver

Atividades como andar de bicicleta, ioga, corrida e caminhada são aliadas da boa saúde das veias e artérias. Durante a prática, o corpo absorve mais oxigênio e move-o para os músculos, faz o sangue bombear, fortalece o coração e diminui a pressão arterial.

Mas se o distanciamento social causado pela pandemia do coronavírus ainda dificulta a prática de exercícios físicos ao ar livre, também é possível exercitar-se dentro de casa, a fim de melhorar a sua circulação sanguínea.

A especialista recomenda que pessoas que trabalham sentadas devem movimentar os membros a cada duas horas, além de darem preferência a cadeiras ergométricas que permitem apoiar os pés no chão. “A circulação mantém os órgãos vivos, portanto, proteja-os e viverá melhor”, acrescenta Guillaumon.

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